sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Associações de Direitos Autorais: Open Source visto como pirataria

Um grupo de políticos nos Estados Unidos está tentando convencer o governo deste país que considerem o uso do Open Source como uma ação de pirataria. Na verdade, incentivam a vigilância de países como Índia, Brasil e Indonésia pelo uso de softwares de código aberto, colocando-os na mira de uma lista especial criada para observar esse tipo de atividade. A petição vem de, nada mais nada menos, que organizações como a MPAA (Motion Picture Association os America) e a RIAA (Recording Industry Associoation of America), que protegem os direitos autorais. Para esses organismos, a medida tem como objetivo "a adequação e eficácia dos direitos de propriedade intelectual", e lista países que os Estados Unidos consideraria "inimigos do capitalismo". A descoberta teria sido feita pelo professor de Direito da Universidade de Edimburgo, Andrés Guadamuz.

É verdade que o Open Source tem certa tendência a ser relacionado com países de ideais mais liberais, mas isto não é mais que apenas uma consequência do livre mercado: a competência permite que as soluções de código aberto sejam uma alternativa especialmente interessante a países que buscam formas de reduzir custos.

Na verdade, há numerosos países que já legislaram sobre a adoção do Software Livre, e isso prejudica os interesses das companhias americanas como a Microsoft, mas como descobriu Guadamuz, não é sequer necessário que haja legislação sobre o uso de soluções Open Source para que esses países entrem na lista. Basta uma simples recomendação...

O The Guardian (http://www.guardian.co.uk/technology/blog/2010/feb/23/opensource-intellectual-property) analisa o caso da Indonésia, que ano passado recomendava o uso de softwares de código aberto a diversos organismos governamentais, mas não impunha o uso. Curiosamente, isto tem sido semelhante ao que o governo britânico recomendou; não obstante, essa recomendação não teve nenhum resultado prático.

Contudo, o IIPA (International Institute of Photographic Arts) crê que a Indonésia deveria entrar na lista especial de países inimigos por ter estimulado a adoção de soluções Open Source. "Debilita a indústria de
software" e "demonstra incapacidade de demonstrar respeito pelos direitos de propriedade intelectual".

O artigo original está correto em sua análise; mas a declaração da IPAA não apenas se esqueceu de que há empresas e negócios totalmente desenvolvidos em torno do Open Source (Red Hat, Novell, Canonical, WordPress, por exemplo), mas vai mais além, sugerindo que o uso do Open Source mina a propriedade
intelectual. Sobretudo, o que o software livre faz é justamente reforçá-la: as licenças de software livre e código aberto estão destinadas a proteger esses direitos, mas de forma que esses código e os desenvolvimentos beneficiem toda a comunidade de usuário.

Mais uma amostra da cegueira das organizações que protegem os direitos autorais e a propriedade intelectual, que continuam sem saber como se adaptar ao mercado.

Fonte: MuyComputer - The Guardian
WM

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Palestra SCRUM (23/02/2010) - GoMobie

Focada em mobile business - provedora de plataformas e no desejo de melhorar ainda mais o ciclo de desenvolvimento dos produtos da empresa GoMobie, tive o prazer de palestrar sobre o SCRUM.

Desejo muito sucesso a esta experiente empresa, que agora, com mais agilidade, colaboração entre o time de desenvolvimento e foco nas necessidades de seus clientes, irá adaptar seu ciclo de produto/projeto no anseio de fomentar a melhoria contínua de sua qualidade e serviços.

 
  
  
 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Inteligência Competitiva gera vantagem na gestão estratégica




O acirramento crescente da concorrência levou os gestores das empresas a repensarem suas práticas a fim de se tornarem mais competitivos. Com isso, surgiu o conceito de Inteligência Competitiva, desenvolvido na década de 1990, nos Estados Unidos. Apesar de não ser nova, a ideia ganhou força de 2005 para cá, depois da crise financeira mundial de 2008.

Segundo o doutor em Ciência da Informação, especialista em Administração Financeira e professor de cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Fumec, Rodrigo Baroni, os primeiros estudos relacionados à Inteligência Competitiva (IC) foram na área militar. “Atualmente, é um campo multidisciplinar, com contribuições das áreas de Marketing, Planejamento Estratégico, Tecnologia da Informação e Gestão da Informação e do Conhecimento”, conta.

Rodrigo Baroni diz que hoje a Inteligência Competitiva funciona como um radar do ambiente de negócios como um todo para prever mudanças políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e regulatórias. “Permite, também, identificar tendências de comportamento dos consumidores, fornecedores e as possibilidades de fusões entre empresas”, conta o professor.

Em outras palavras, este conjunto de práticas visa fazer com que as organizações se antecipem às mudanças antes do concorrente. “Por isso, a área ganhou força depois da crise de 2008, pois algumas empresas que possuíam a IC mais desenvolvida conseguiram se programar melhor para enfrentá-la, ao contrário daquelas que foram surpreendidas com os fatos”, observa Rodrigo Baroni.

Tentar prever as tendências do mercado não deve ser confundido, entretanto, com espionagem industrial, que envolve o uso de técnicas ilícitas para obter informações dos concorrentes, como ressalta Rodrigo Baroni. “Aliás, é importante destacar que boa parte da Inteligência Competitiva é feita com informações públicas, pois o diferencial está na capacidade de análise das informações existentes.”

Um equívoco relativo à gestão cometido pelas empresas é canalizar a maior parte de sua energia para o controle das informações internas. De acordo com o professor, com isso faltam recursos para olhar para fora, coletar e organizar informações sobre o ambiente de negócios. “Pergunte às empresas quanto elas gastaram no mês passado com material de escritório e praticamente todas responderão. Pergunte às mesmas organizações quais foram as principais ações de seus concorrentes depois da crise e poucas terão uma resposta precisa para fornecer”, observa.

Importantes instrumentos para este monitoramento são fornecidos pela TI, principalmente na fase de coleta e disseminação de informações. “Atualmente existem softwares específicos de IC que funcionam como agentes inteligentes, rastreando informações na Web a respeito dos concorrentes, fornecedores, governo, entre outros. Eles podem configurar o software para procurar palavras específicas”, explica Rodrigo Baroni.

No entanto, o professor alerta que a TI não é o componente principal de um projeto de Inteligência Competitiva. “Não adianta coletar um grande volume de informações se a organização não sabe nem o que deve monitorar e nem o que fazer com que foi coletado”, adverte. Neste ponto, o elo da IC com a estratégia corporativa é fundamental, segundo o doutor em Ciência da Computação.

Para sistematizar este processo, Rodrigo Baroni recomenda que a empresa busque uma consultoria especializada. Desta forma, é possível que o projeto siga uma metodologia adequada. “A empresa também pode capacitar internamente seus profissionais por meio de cursos na área”, aponta.

Mudança de mentalidade – A implementação da Inteligência Competitiva requer uma mudança de mentalidade por parte das empresas. Segundo o professor Rodrigo Baroni, as organizações devem perceber que o conjunto de práticas é uma questão de sobrevivência. “Muitas empresas ainda são reativas às mudanças e ficam se perguntando ‘o que aconteceu no nosso negócio?’, ‘por que as vendas caíram?’. Enquanto isso, o concorrente pode já estar faturando em cima das novas oportunidades”, alerta.

Isso ocorre porque, frequentemente, a empresa prefere acreditar em uma visão confortante da concorrência do que em uma imagem real. “Por isso, o projeto deve começar com o convencimento e envolvimento da alta administração da empresa no projeto de IC. Gosto de comparar esse processo com o jogo de xadrez. Uma pessoa comum pensa uma ou, no máximo, duas jogadas na frente. Já um grande mestre enxadrista pensa várias jogadas à frente e antecipa os movimentos do seu adversário”, compara Rodrigo Baroni.

O ciclo da Inteligência Competitiva envolve cinco etapas para ser implementado. A primeira delas, como conta o doutor em Ciência da Computação, é a identificação das necessidades de informação, por meio de entrevistas com os executivos-chave que tomam as decisões estratégicas. “Esta é a etapa mais importante. Depois dela, vem a coleta e tratamento das informações: seleção das fontes de informação mais adequadas para responder as questões empresariais. É a fase do ‘garimpo’”, fala.

A análise final da informação, fase da inteligência propriamente dita, em que as informações coletadas são transformadas em análises significativas, é a terceira etapa. “É um trabalho de ‘ligar os pontos’, pois notícias e fatos, aparentemente sem correlação, podem representar novas tendências e padrões do mercado”, explica Rodrigo Baroni.

Por fim, vêm as fases de disseminação do produto de inteligência e avaliação. “A primeira refere-se à formatação da inteligência gerada em produtos e relatórios no formato, linguagem e frequência desejados pelo tomador de decisão. A segunda é a etapa de feedback, para identificar junto aos executivos se as necessidades foram atendidas e como está sendo o uso prático da IC”, finaliza o professor.

Treinamento – Para mostrar às empresas a importância da Inteligência Competitiva para a gestão estratégica dos negócios, o Bureau de Inteligência, coordenado pela Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Assespro-MG), realizará seu primeiro treinamento sobre o tema. O curso será ministrado por Rodrigo Baroni, que mostrará como gerar resultados e vantagens competitivas a partir do uso de ferramentas de monitoramento de mercado e concorrência.

Uma das ações do Arranjo Produtivo Local (APL) de Software da região metropolitana de Belo Horizonte e Viçosa, o Bureau visa contribuir para a competitividade do setor de TI em Minas Gerais por meio de pesquisas, capacitação de pessoas e empresas. Dentro desta perspectiva, a atividade tem como objetivo identificar tecnologias adequadas para o desenvolvimento da Inteligência Competitiva, compreender o seu ciclo e analisar o nível de maturidade de organizações quanto à inteligência competitiva.

Antes mesmo de estar totalmente implantado, o Bureau de Inteligência apresentou seu primeiro trabalho. Durante o IV Encontro Empresarial, promovido em setembro, foi divulgado o resultado da pesquisa Satisfação dos funcionários como fator chave da satisfação dos clientes. Realizada entre os meses de abril e junho, a pesquisa foi aplicada em 41 empresas de TI de Belo Horizonte associadas à Assespro e envolveu 180 funcionários e 180 clientes.

Além disso, neste ano, para fortalecer as atividades do Bureau de Inteligência, a pesquisa que serve como base para o Prêmio Assespro 2009 – antigo Ranking Mineiro de Informática – teve como ênfase a inovação tecnológica. O levantamento mostrará a competitividade como fator essencial para fazer a diferença no mercado. As categorias e faixas de premiação podem ser conferidas na página (http://premio.assespro-mg.org.br). A cerimônia de premiação será realizada em dezembro.

Outra iniciativa neste sentido é o fortalecimento da rede de relacionamento das empresas com instituições de ensino superior. Para isso, a Assespro-MG assinou Acordo de Cooperação Técnica com a Universidade Fumec, que tem como objetivo incentivar o desenvolvimento de dissertações e teses sobre o setor de TI, como conta o presidente da Associação, Ian Campos Martins.

Segundo ele, a Assespro-MG fomentará a participação dos associados e buscará possibilitar o acesso às empresas, tornando-as parceiras na coleta de dados e no desenvolvimento das pesquisas. “Por outro lado, a Face Fumec (stricto sensu), em comum acordo com a Assespro, disponibilizará e divulgará, entre seus professores e alunos, informações de como proceder para realizar estas pesquisas em parceria, incentivando sua execução e operacionalização”, acrescenta o presidente da Assespro-MG.

Gerenciar projetos é assunto para líderes

12/01/2010 - Walther Krause

A sobrevivência de uma empresa requer de seus executivos ações rápidas, objetivas e consistentes. Todas as oportunidades devem ser aproveitadas e novos espaços precisam ser criados. O sucesso da organização é o resultado de suas lideranças e da aplicação de práticas gerenciais que a conduzam, com eficiência e eficácia, no sentido de atingir os resultados esperados. O gerenciamento de projetos é o caminho para transformar idéias em algo que dê as empresas desenvolvimento de forma sustentável, considerando-se o cenário competitivo atual.

Atualmente o profissional responsável por conduzir os projetos recebe a atribuição de Gerente do Projeto. Entretanto, é vital observarmos que é fundamental existir esta função, independente de seu título, uma vez que este cargo ainda não é formalmente reconhecido por várias organizações.

Mas independente de nomes ou cargos, saber o perfil necessário ao gerente do projeto, para o melhor desempenho de suas atribuições, é fundamental na construção de uma organização de alto desempenho. Este profissional deve conter pelo menos três grupos de competências: técnica, competência na área de atuação e de gestão. A competência técnica é formada pelas habilidades e conhecimentos nas melhores práticas de gerenciamento de projetos, como as difundidas pelo Project Management Institute - PMI (www.pmi.org). A segunda competência está relacionada ao tipo de negócio ou pro jetos envolvidos, como engenharia, tecnologia da informação etc. A competência de gestão é comportamental e requer habilidades e atitudes que tornam o gerente de projeto um líder.

Todas as competências são importantes, mas a que leva a liderança é a que traz melhores resultados para a organização e para o profissional. O gerente de projetos não é um "tocador" de cronogramas, muito menos um herói realizador. Ele precisa ser o líder de uma transformação, conduzindo uma equipe a desenvolver, coordenadamente, um conjunto de tarefas executadas de forma eficiente para a obtenção do sucesso, não só para a organização, mas também para seus clientes e todos os envolvidos no projeto.

A liderança é o resultado de habilidades do gestor em entender as causas e os objetivos, de atitudes em motivar e colaborar, de atribuir a si responsabilidades e de realizar alianças com equipe, pares e outras partes interessadas num objetivo convergente.

Um estudo realizado por uma consultoria em Recursos Humanos norte-americana revelou as 25 empresas que melhor formam líderes no mundo. O primeiro lugar apontado pela pesquisa é da IBM, que possui um dos mais abrangentes programas de formação de gerentes de projetos e de líderes, requerendo que todos os seus executivos tenham cerificação em gerenciamento de projetos, incluindo a certificação do PMI (PMP).

A IBM é uma das poucas empresas americanas que se manteve inabalável perante a crise financeira recente. É uma das Top of Mind do Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos, coordenado pelo PMI Regional Rio de Janeiro (www.pmirio.org.br). A General Electric também é uma das principais em liderança, com programas de formação e certificação em gerentes de projetos. A NASA, uma das maiores referências em gerenciamento de projetos, possui um programa específico para formação de gerentes de projeto líderes.

com seus feitos. Este modelo propaga-se por todos os níveis hierárquicos, mostrando um novo caminho para o profissional em gerenciamento de projetos. Steve Dobbs, presidente da Fluor Corporation, sentenciou que a sua empresa passou pela crise graças ao gerenciamento de projetos, que alavanca os resultados na bonança e alinha o rumo em momentos desfavoráveis. Ser gerente de projetos é uma opção para grandes realizações, mas irá exigir muito esforço e desenvolvimento de seu perfil para alcançar o sucesso pessoal e da organização.


* Walther Krause - Diretor do PMI-Rio

Sobre o PMI-Rio (www.pmirio.org.br)
O Project Management Institute (PMI) é a maior organização mundial sem fins lucrativos com objetivo de promover as melhores práticas do gerenciamento de projetos. Fundada em 1969 e sediada na Pensylvânia, Estados Unidos, a entidade conta com mais de 350 mil associados em 171 países. É representada no Rio de Janeiro pelo PMI-Rio (www.pmirio.org.br), atualmente, com 1.600 membros e tem como compromisso o desenvolvimento profissional dos gestores e das organizações além de estabelecer a ética em gestão de projetos. No Brasil, o PMI é representado pelas seguintes seções regionais (Chapters): São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo e Amazonas. Em busca de maior competitividade, in ovação e o constante desenvolvimento de novos produtos, a gestão de projetos vem ocupando um papel cada vez mais importante dentro das empresas e até nos governos com gestão mais moderna e eficiente

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Scrum executivo

fonte: http://blog.adaptworks.com.br/2009/06/11/scrum-executivo-pt-1/

No Brazil Scrum Gathering eu apresentei pela primeira vez algumas das minhas experiências na utilização de Scrum em times executivos. No Agile 2009 em Chicago/US, que acontecerá no mês de agosto, estarei novamente falando sobre este tema, então resolvi postar aqui uma série de 3 posts sobre o tema, a iniciar por este que explica as motivações que me levaram a utilizar Scrum no alto gerenciamento das empresas.

O que me motivou a utilizar Scrum com executivos?
HappyExecutive 1 2 - HappyExecutive 1 2
Utilizar as práticas de Scrum como uma forma de apoio a times executivos não foi em momento algum algo planejado. O que aconteceu na verdade foi que, ao realizar trabalhos de implantação de Scrum em projetos dentro das corporações, eu me deparava com uma forte resistência na camada do alto gerenciamento das empresas, e isto me levou a tentar entender suas dores. Percebi então que algumas práticas ágeis poderiam colaborar com estes times executivos, pois me surpreendia ao ver que muitos dos problemas que encontrávamos no mundo de projetos de software se repetiam no mundo executivo.
Sem ainda pensar em “utilizar Scrum”, mas apenas em fornecer práticas soltas que pudessem ajudar estes profissionais em problemas pontuais, comecei a sugerir o uso de algumas práticas ágeis em times executivos, e estas experiências sem dúvida alguma me motivaram a usar o que hoje chamo de Scrum Executivo. Abaixo algumas destas experiências: Planning Poker no board dos diretores
O CIO da empresa me chamou em sua sala para me questionar sobre algo que ele considerava curioso: ele acabara de passar pelo andar de projetos e lá viu várias pessoas jogando baralho durante o horário de expediente! Ao questionar alguns desenvolvedores sobre o assunto estes tinham o mesmo discurso e informavam que era uma técnica para estimativas que eu os havia ensinado.
Após explicar todo o processo do Planning Poker para o diretor e falar sobre como isso incentiva a comunicação do time e evita haver influência de opiniões, fui surpreendido com um “Ha…é disso que eu preciso para as nossas reuniões de diretoria!”. Durante quase o dia inteiro trabalhamos em cima de uma “versão” do Planning Poker para ser utilizada por eles quando da necessidade de se priorizar ações corporativas e definir a complexidade de execução das mesma.
Cafézinho no andar da TI
“Adoro este quadro!” foi o que o CIO me falou após uma reunião. “Com eles eu consigo ter informações diárias de como o projeto está andando sem ter que me preocupar em pedir status para as pessoas cada vez que preciso dessas informações”. Ele estava se referindo a um novo hábito que ele executava diariamente: ir até o andar de projetos para tomar um cafézinho e, enquanto fazia isso, conseguia visualizar nos quadros o que cada projeto havia andado no dia interior.
Kanban na sala do CIO
Com a boa visibilidade que os radiadores dos times lhe davam, não demorou muito para elaborarmos um Kanban com os projetos e ações que estavam sob a responsabilidade do CIO. Este quadro ficava na sua própria sala e era atualizado diariamente pelos próprios gerentes de projeto (ou ScrumMasters) de acordo com o andamento de cada um dos projetos. Este modelo foi apresentado em uma reunião de diretoria e replicado em outras diretorias.
Metas de curto-prazo, e planejamento alinhados à meta
Ao participar de algumas Review Meetings, o CIO enxergou o quão interessante era trabalhar com metas próximas e prioritárias dentro de um time-box curto. Não demorou para eu ser procurado e convidado a elaborar uma forma com o qual ele, o CIO, pudesse trabalhar com seu time de gerentes em pequenas “Sprints” com metas de negócio próximas e com um sendo de urgência elevado.
Se por um lado iniciei este trabalho com o simples propósito de ganhar a confiança do alto gerenciamento da empresa para poder utilizar Scrum mais fortemente em seus projetos de software, por outro eu comecei a enxergar o quanto os valores e práticas ágeis podiam ajudá-los.
Durante muito tempo me perguntei se o que eu estava iniciando era mesmo algo de valor, ou se - pela minha paixão pelo jeito de Agile de trabalhar - eu estava me envolvendo em algo fictício e sofreria as consequências num futuro próximo. Uma matéria publicada na HSM Management do Brasil em Setembro de 2008 me levou a crer que eu realmente não estava errado, e que eu não era o único a pensar que métodos ágeis poderiam sim ajudar times executivos. Em um artigo entitulado “Learning with Programmers”, Keith McFarland, fundador e consultor da McFarland Strategy Partners fala em como os chamados métodos ágeis podem ser úteis para ajudar na elaboração do que ele chama de “Versão 2.0” do modelo de planejamento estratégico corporativo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Tendências

Não dá mais para falar de marketing sem falar de tendências, comportamento de consumidor, mercado, ambiente macro, ROI e muitas outras informações que fazem que o profissional de marketing crie diferenciais para as empresas.

E falando de tendências vamos ter que ir direto para Faith Popcorn. Ex-publicitária, é uma futurista que fundou a sua própria consultoria, a BrainReserve.
Através de pesquisas constantes Popcorn escreveu seu best seller " O relatório de Popcorn" (Popcorn Report) aonde previu tendências de comportamento, analisou produtos que podem virar sucesso, e como as empresas devem se comportar no mercado.


Uma dessas tendências, escrita em 2004 e que hoje é vista de forma bem presente nos produtos e serviços já disponíveis no mercado, é o que chamamos de Encasulamento (Cocooning) - o impulso de ficar dentro de casa, quando o lado de fora se torna muito difícil e ameaçador. Um número cada vez maior de pessoas está transformando suas casas em verdadeiros ninhos - fazem nova decoração, assistem filmes pela TV a cabo em seu home theater, utilizam a Internet para quase tudo. Serviços "delivery' crescem e se diversificam, os produtos são criados de forma mais sofisticadas para você receber seus amigos em seu lar, os novos prédios possuem áreas de lazer cada vez mais completas. A segurança do lar é o que importa.

Tendência não é mais um estudo que pode ficar fora dos nossos olhos.

Uma boa sugestão é entrar no site da própria Popcorn. Desde 2004 ela posta as tendências para o ano, e como não pode ser diferente, já esta lá as tendências de 2010 ...vale a pena dar uma espiadinha.

Para ela, 2010 é o ano do Lo-Co (Local Cocooning, ou seja, encasulamento Local).


“If you knew everything about tomorrow, what would you do differently today”


http://www.faithpopcorn.com/

Retirado de: http://mktcomunica.blogspot.com/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ponha um tubarão no seu tanque!

Desconheço a autoria e a autenticidade de exemplo, mas vale a leitura!
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Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco.

E os japoneses não gostaram do sabor destes peixes. Para resolver este problema as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo. Entretanto, os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto, o peixe congelado tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, "como sardinhas". Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam cansados e abatidos, porém, vivos.

Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático. Então, como os japoneses resolveram este problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor?

Se você estivesse dando consultoria para a empresa de pesca, o que você recomendaria?

Quando as pessoas atingem seus objetivos tais como começar com sucesso numa empresa nova, pagar todas suas dívidas ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões . Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, então relaxam. Elas passam pelo mesmo problema que os ganhadores de loteria que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros que nunca crescem e de donas de casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.

Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, a solução é bem simples. L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50: "o homem progride, estranhamente, somente perante um ambiente desafiador".

Quanto mais inteligente, persistente e competitivo você é, mais você gosta de um bom problema.

Se seus desafios estão de um tamanho correto e você consegue, passo a passo, conquistar esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se sente com mais energia. Você fica excitado em tentar novas soluções. Você se diverte. Você fica vivo!

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo". Os peixes são desafiados.

Portanto, ao invés de evitar desafios, encare-os. Massacre-os! Curta o jogo! Se seus desafios são muito grandes e numerosos, não desista. Se reorganize! Busque mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda. Mude a forma de resolver seus desafios. Reinvente-se!

Se você alcançou seus objetivos, coloque objetivos maiores. Uma vez que suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá de encontro aos objetivos do seu grupo, da sociedade e até mesmo da humanidade. Crie seu sucesso pessoal e não se acomode nele. Você tem recursos, habilidades e destrezas para fazer diferença.

Então, “ponha um tubarão no seu tanque” e veja quão longe você realmente pode chegar!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

10 Características do Empreendedor de Sucesso

Comportamento modelo


Dez características de personalidade mais presentes nos empreendedores bem-sucedidos — e o que acontece quando um pequeno ou médio empresário tem crédito ou débito em cada uma delas

Por Julia Moreira Leite – Portal EXAME

Quais os traços de personalidade comuns aos empreendedores de sucesso? Há características que ajudam alguém a empreender com mais facilidade? É possível se exercitar emocionalmente para ser um empreendedor melhor?

Esse tipo de pergunta levou o psicólogo americano David McClelland — que durante um longo período de sua vida lecionou na Universidade Harvard — a estudar mais o assunto. Ele quis traçar um perfil com os tipos de comportamento mais importantes num empreendedor — com base nessa lista talvez fosse possível chegar a um método capaz de ajudar as pessoas a conquistar uma espécie de inteligência emocional empreendedora.

Na década de 60, McClelland trabalhou com uma pesquisa mundial, conduzida em parceria com a Organização das Nações Unidas, na qual foram mapeadas as dez características de comportamento que mais apareciam na personalidade de determinado grupo de empreendedores bem-sucedidos. As qualidades que entraram para a lista foram concentração, organização, persistência, autoconfiança, coragem, persuasão, iniciativa, curiosidade, superação e comprometimento.

Listas do gênero são úteis para projetos educacionais nessa área. Eles podem ajudar empreendedores (ou quem pensa em ser um) a se conhecer melhor e a superar os defeitos. No Brasil, o mais abrangente deles, e que utiliza a lista do comportamento modelo, é o do Empretec — programa ligado à ONU para fomentar o empreendedorismo e que, no Brasil, é executado com o auxílio do Sebrae.

1. CONCENTRAÇÃO
 
O que é: Conseguir se manter concentrado em determinada meta ou tarefa que requer maior atenção é uma habilidade fundamental. No dia a dia, à frente do negócio, o empreendedor terá de lidar com uma montanha de demandas de clientes, fornecedores, funcionários e sócios — que só aumenta à medida que a empresa cresce. Sem concentração, é muito fácil desviar-se do foco e se perder da estratégia traçada para fazer a empresa prosperar. O empreendedor concentrado mantém-se firme mesmo diante de tantas solicitações e não cede facilmente à tentação de agarrar qualquer oportunidade apenas porque ela apareceu em seu caminho naquele instante.

Quando você não tem: “Sem metas, não há sequer como começar direito uma empresa”, afirma Enio Pinto, consultor do Sebrae. Um negócio para o qual o empreendedor não consegue estabelecer objetivos claros — e concentrar-se neles — é como um Exército sem general. Os funcionários ficam sem saber quais são as prioridades, e a energia das equipes geralmente é canalizada para esforços que não trazem resultados de fato importantes para o negócio.
 
Quando você tem demais: O empreendedor exageradamente concentrado agarra-se às suas metas e fica de tal forma absorto com as tarefas a cumprir que dificilmente olha para os lados para enxergar o panorama completo. Em geral, ele também não traça planos de emergência para o caso de determinado projeto dar errado. Como é natural, na atividade empreendedora, que boa parte do aprendizado venha de erros e acertos, o pequeno ou médio empresário demasiadamente metódico está sob risco permanente de sufocar sua criatividade — outra característica sem a qual é difícil ir em frente.

O ideal: Uma vez que as principais metas estão claras, o empreendedor bem dosado nessa característica sabe estabelecer prioridades e conseguirá cumpri-las sem muito esforço. No entanto, ele não deixa que sua concentração o impeça de enxergar o aparecimento de uma boa oportunidade. Ele também está atento ao surgimento de um problema que não fazia parte de seus planos.
 
2. ORGANIZAÇÃO
 
O que é: A organização é uma habilidade que ajuda o empreendedor a colocar em prática as metas traçadas no papel. Um pequeno ou médio empresário organizado é capaz de dividir os objetivos estratégicos em subtarefas a ser desempenhadas no dia a dia. Quem é organizado segue prazos e sabe cobrá-los — de si mesmo e de seus funcionários –, tem documentados os procedimentos mais importantes da empresa e mantém registros de dados financeiros e processos.
 
Quando você não tem: Um empreendedor muito desorganizado tem menos chances de ganhar espaço no mercado. Não adianta estabelecer estratégias inteligentes se, na hora de colocá-las em prática, o empreendedor não é capaz de segui-las. “É preciso ter um mapa que indique maneiras de chegar ao objetivo”, diz Marlene Ortega, da consultoria de recursos humanos e estratégia Relevantte. Caso contrário, a pessoa corre o risco de mudar de ideia com muita frequência, desvirtuar-se de suas metas iniciais e, ao final, não alcançar meta alguma.
 
Quando você tem demais: O empreendedor exageradamente organizado apega-se a formalidades e a rituais burocráticos e passa a executá-los até sem necessidade. Pode virar um autômato e permanecer anos sem mudar procedimentos que já caducaram. Alguns chegam a acreditar que estão progredindo, quando, na verdade, estão apenas cumprindo uma lista de tarefas.
 
O ideal: O empreendedor equilibrado sabe que o planejamento deve ser balanceado com a observação do mercado — o que permite eventuais ajustes durante o percurso. “Estabelecer as regras para o sucesso é importante”, diz Marlene. “Mas saber a hora de transgredi-las, também.”
 
3. INICIATIVA
 
O que é: Iniciativa é provavelmente o mais conhecido propulsor do empreendedorismo. O empresário com iniciativa está sempre se antecipando e procurando oportunidades. Quando a ideia ainda está numa folha de papel, ou nem isso, e tudo parece improvável, ele é advertido pelos demais: “Não vai dar certo”. Mesmo assim, dá o primeiro passo.
 
Quando você não tem: O empreendedor sem iniciativa deixa passar oportunidades e está sempre agindo depois que os problemas já aconteceram. Abandona, no papel, muitas ideias que poderiam ser excelentes por achá-las de difícil execução. Empresas geridas por pessoas sem iniciativa parecem sempre velhas. Nelas, tudo é lento e chato.
 
Quando você tem demais: A principal consequência do excesso de iniciativa é o empreendedor imprimir à sua empresa um ritmo de crescimento muito mais rápido do que suas possibilidades de investimento — e não ter estrutura para sustentar essa velocidade.
 
O ideal: O empreendedor que sabe dosar essa característica normalmente confronta suas últimas ideias com o que está escrito no planejamento estratégico e checa se elas se encaixam nos planos e objetivos. O empresário com iniciativa analisa diferentes cenários antes de ir em frente a fim de identificar os problemas e os desafios que possam surgir no novo caminho escolhido.
 
4. CORAGEM
 

O que é: A coragem é a qualidade que permite ao empreendedor se expor a situações que, normalmente, outras pessoas tentariam evitar. Ter coragem é o que permite ao empreendedor assumir riscos.
 
Quando você não tem: “Não existe empreendedorismo sem uma dose de exposição ao risco”, diz Enio, do Sebrae. “Portanto, um empreendedor sem coragem está imobilizado.” O risco está presente não apenas no início de uma empresa mas também no lançamento de um novo produto, num investimento mais alto, numa fusão com outra companhia. É inerente à atividade empreendedora e, sem assumi-lo, torna-se impossível empreender.
 
Quando você tem demais: Coragem em excesso, no entanto, é uma postura irresponsável, com potencial para destruir até mesmo um negócio consolidado. Assumir riscos que não compensam vai aos poucos erodindo a empresa. Mesmo quando, por sorte, não tem efeitos mais trágicos, a coragem excessiva de um empreendedor tende a sobrecarregar a equipe, colocando-a constantemente sobre pressão.
 
O ideal: “O risco vem de alguém não saber o que está fazendo”, disse, certa vez, o investidor Warren Buffett. O ideal, portanto, é assumi-los com prudência e sempre pesar a relação risco-benefício. Quando ela for positiva, pode valer a pena tentar colocar uma nova ideia em prática. Muitas vezes, entretanto, o risco não compensa os resultados esperados — nesses casos, mesmo o empreendedor corajoso deveria ficar de fora. Isso não é falta de coragem, mas inteligência. “Não se deve arriscar tudo o que se tem para crescer só um pouquinho”, diz Juliana Dutra, consultora de recursos humanos da Deep People.
 
5. PERSISTÊNCIA
 

O que é: Persistência é o que torna alguém capaz de insistir em perseguir um objetivo quando quase tudo já foi feito e, mesmo assim, as coisas insistem em dar errado. Quando finalmente elas começam a dar certo, o ganho é duplo: o problema fica resolvido e a dificuldade enfrentada serve de aprendizagem para enfrentar novos desafios no futuro.
 
Quando você não tem: “Empreender é sempre difícil”, afirma Juliana. Sem persistência, é quase impossível enfrentar as dificuldades que surgem o tempo todo numa empresa em crescimento. Na falta dessa qualidade, o empreendedor pode se ver tentado a abandonar projetos que sejam um pouco mais complexos, deixar de lado as negociações mais árduas e, principalmente, escolher sempre o caminho mais fácil, e não o mais promissor.
 
Quando você tem demais: Insistir demais em algo que não está dando certo pode significar teimosia. O empreendedor teimoso acredita que sempre vale a pena tentar indefinidamente. Para ele, a culpa pelos problemas está nas circunstâncias e nos outros — nunca em sua decisão. A teimosia pode fazer com que o empreendedor não enxergue soluções alternativas nem reconheça seus próprios erros.
 
O ideal: O teimoso insiste pelo simples ato de insistir. O persistente tem metas claras. Além disso, a persistência boa está aliada à flexibilidade e à observação de como as coisas acontecem numa situação concreta. “Mudar as táticas para adequá-las às estratégias também é uma forma de persistência”, diz Enio.
 
6. CURIOSIDADE
 

O que é: Curiosidade é a habilidade que faz o empreendedor se manter atento a novas informações que possam ser úteis para seus planos de crescimento. Um empreendedor curioso está sempre em busca dos dados mais atualizados sobre seu setor, ouve os consumidores, acompanha tendências, visita concorrentes, tenta encontrar outras empresas que sirvam de inspiração. Empresários curiosos, mesmo nos momentos de lazer, tiram observações que podem ser transformadas em novas ideias.
 
Quando você não tem: Um empreendedor sem curiosidade está prestes a cair numa armadilha de erros primários. Ao não acompanhar de perto o mercado em que atua, corre o risco de lançar produtos obsoletos ou perder oportunidades em um mercado ainda inexplorado. O empreendedor que não é naturalmente curioso precisa criar um processo habitual de coleta de informações para evitar muitos percalços.
 
Quando você tem demais: Ser curioso demais pode levar à distração no trabalho. O empreendedor perde tempo e energia pesquisando uma quantidade imensa de informações — e, depois, não consegue usá-las para buscar resultados objetivos. “A curiosidade excessiva dispersa”, diz o consultor Marcos Hashimoto, coordenador do centro de empreendedorismo no Insper. Qualquer pesquisa deve ter início, meio e fim.
 
O ideal: Curiosidade, de modo geral, é bom. Mas precisa ser domada. Algumas observações práticas ajudam a usar a curiosidade de modo correto. O tipo do negócio, por exemplo, pode determinar quanto tempo um empreendedor deveria dedicar a estudos e pesquisas. “Os mercados emergentes, por exemplo, mudam muito rápido”, diz Hashimoto. “Não dá para perder muito tempo na busca de informações em casos assim.”
 
7. SUPERAÇÃO
 

O que é: Fazer melhor, mais rápido, de forma mais barata e para mais gente. O empreendedor que cultiva a superação como meta permanente nunca está satisfeito — e isso é um ótimo combustível para qualquer negócio.
 
Quando você não tem: A falta de desejo por ultrapassar, a cada dia, as próprias conquistas pode levar um empreendedor a um tipo de comportamento antiempreendedorista. O risco de não se esforçar para se superar o tempo todo é ficar paralisado e ser engolido pela concorrência. “Muitas empresas morrem justamente quando seus donos acreditam que chegaram ao topo”, diz Juliana, da Deep.
 
Quando você tem demais: O empreendedor torna-se perfeccionista e exigente demais com funcionários e fornecedores, emperrando o dia a dia do negócio. Faz, refaz e recomeça um trabalho diversas vezes pelo excesso de preciosismo.
 
O ideal: A busca por superação deve ser ponderada com análises do mercado — os resultados de outras empresas podem servir de parâmetro para o estabelecimento das próprias metas.
 
8. PERSUASÃO
 
O que é: O empreendedor com a habilidade da persuasão não tem apenas facilidade para vender seu produto ou serviço. Ele consegue algo ainda mais valioso: convence as pessoas de que aquele produto ou serviço são, na verdade, os melhores. Não é apenas com os clientes que um empresário precisa exercitar sua habilidade de persuasão. Quem está no comando de uma pequena ou média empresa em expansão normalmente passa boa parte de seu tempo tentando persuadir quase todo mundo — um sócio para definir uma nova estratégia, um fornecedor para conseguir melhores condições de pagamento ou um funcionário que precisa se comprometer mais com a empresa.
 
Quando você não tem: Ninguém desperta tanta confiança ao expor as qualidades de uma empresa do que seu próprio dono. Se o empreendedor tem dificuldade de convencer os outros sobre quais são os pontos fortes de seu negócio, há grandes chances de ele sair prejudicado em negociações ou simplesmente provocar uma grande desmotivação geral entre os funcionários.
 
Quando você tem demais: Pessoas com impulso persuasivo em exagero tendem a lidar com fornecedores e clientes como se estivessem em um ringue diante de um inimigo mortal. Quando o empresário tenta convencer alguém, a todo custo, das vantagens de uma negociação, a situação pode ter o efeito contrário ao pretendido. Ele pode até se sair vitorioso num primeiro momento — mas os danos causados durante um processo desse tipo podem comprometer para sempre o que poderia ser um bom relacionamento de negócios.
 
O ideal: O empreendedor persuasivo enxerga seus contratantes como parceiros, e não como rivais numa arena. Ele tem consciência de que não adianta, por exemplo, empurrar uma venda a qualquer custo se o cliente está demonstrando todos os sinais de que vai se arrepender dela depois. “Para ser persuasivo, é preciso de fato acreditar naquilo que você está dizendo”, diz o consultor Enio Pinto, do Sebrae. Um quesito básico para ser mais persuasivo em encontros nos quais essa habilidade será particularmente útil é preparar-se muito bem para essas ocasiões, reunindo o máximo de. informações sobre o cliente, procurando saber quais são suas principais necessidades. Procurar se informar sobre as características pessoais do interlocutor é uma prática que também ajuda na abordagem.
 
9. COMPROMETIMENTO

O que é: Comprometimento é uma habilidade necessária a todo empreendedor. Consiste em cumprir aquilo que foi prometido no prazo combinado, mesmo que isso implique aumentar a carga horária de trabalho ou perder horas de sono. O empreendedor comprometido muitas vezes faz ainda melhor: cumpre além do que foi combinado e antes do cronograma.

Quando você não tem: “Cada minuto de atraso tem um preço”, afirma Enio. No caso de uma empresa iniciante, a pontualidade ao cumprir os prazos prometidos costuma gerar indicações para novos trabalhos e boas referências espalhadas no mercado. Em compensação, o descumprimento de apenas um acordo pode ser devastador para a imagem de empresas iniciantes — o cliente não retorna e ainda espalha os dissabores de sua experiência para outros potenciais consumidores.

Quando você tem demais: É inevitável que o empreendedor faça alguns sacrifícios pessoais pela empresa — afinal, o sucesso do negócio depende, em grande parte, dele. Mas quando começa a negligenciar demais outras áreas da vida — como o relacionamento familiar — corre o risco de avançar num ritmo mais intenso do que permitem suas próprias forças. Fazer muitas concessões aos clientes também pode atropelar o dia a dia da operação. E ajudar os funcionários a cumprir prazos muitas vezes resulta num ambiente pouco favorável ao comprometimento.

O ideal: O empresário realmente comprometido sabe quando é preciso dizer não. Logo no momento de fechar um contrato com um cliente, ele evita prometer o que não pode ser cumprido — ou o que só poderá ser cumprido às custas de muitos sacrifícios. É uma forma de se precaver e de manter o controle sobre os próprios limites operacionais. Uma empresa que atende a qualquer capricho dos clientes pode não sobreviver muito tempo.

10. AUTOCONFIANÇA

O que é: Autoconfiança é a capacidade do empreendedor de acreditar em si mesmo e, consequentemente, em suas decisões e no futuro da empresa que criou. O empreendedor com essa qualidade costuma insistir em seus projetos porque acredita nas próprias ideias. Essa é uma postura capaz de contagiar positivamente o ambiente de trabalho, deixando funcionários motivados e clientes mais seguros. “Todo mundo prefere se envolver num negócio em que o líder demonstra saber o que está fazendo”, diz Marlene.


Quando você não tem: A falta de autoconfiança do dono é capaz de comprometer todas as operações da empresa — e também a de parceiros. Um empreendedor inseguro sente necessidade de consultar outras pessoas para quaisquer iniciativas. As tomadas de decisões ficam lentas e a empresa perde agilidade.

Quando você tem demais: Excesso de autoconfiança vira arrogância — péssima característica para um pequeno e médio empreendedor que, com frequência, precisa negociar diretamente com fornecedores, bancos e clientes. O empreendedor que, depois de acertar algumas vezes, acredita que não precisa mais ouvir ninguém também corre o risco de tornar seu negócio obsoleto, porque supõe que algo o fará estar sempre à frente da concorrência.

O ideal: O empreendedor é capaz de assumir riscos e tomar as decisões mais importantes para seu negócio com agilidade, mas não se fecha para as opiniões externas. “Ouvir o que concorrentes ou funcionários dizem sobre você é uma boa maneira de saber quando é preciso baixar um pouco a bola”, diz Juliana.