sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Líderes devem dominar a emoção no trabalho, defende professor de Harvard

De acordo com Daniel Shapiro, os executivos precisam aprender a transformar os sentimentos em uma ferramenta para melhorar o poder de negociação e de convencimento



Dentro do ambiente corporativo, as pessoas aprendem que as emoções precisam ser deixadas de lado. No entanto, de acordo com o psicólogo e professor da Escola de Gestão de Harvard (EUA) e criador do Programa Internacional de Negociação, Daniel Shapiro, isso não é verdade. O especialista defende que quando os executivos entendem suas próprias emoções e como elas influenciam o comportamento de outras pessoas conseguem obter melhores resultados em negociações com fornecedores, com outras áreas de negócio e com sua própria equipe.


Isso porque, segundo o especialista, cada emoção desperta um tipo de reação na pessoa que a sente e a ação provocada pode ser benéfica ou prejudicial aos negócios. Assim, é importante que os líderes corporativos conheçam os principais sentimentos que os assolam no ambiente de trabalho para poderem, então, saber como utilizá-los de maneira positiva.
Shapiro, o qual participou das negociações de paz no Oriente Médio, na guerra da Bósnia e nas maiores transações empresariais do mundo, destaca que as principais emoções que os executivos devem conhecer e saber dominar estão ligadas aos sentimentos de vaidade, autonomia, crenças, status e importância dentro da companhia.
Para ele, a vaidade, por exemplo, pode levar os gestores a atitudes positivas, na medida em que buscarão os melhores resultados para mostrar aos outros, e negativas, já que quando uma pessoa vaidosa se sente desprestigiada acaba não conseguindo realizar um bom trabalho. Nesse sentido, o especialista destaca que o autoconhecimento ajuda a lidar com as emoções.
A sensação de autonomia, de acordo com Shapiro, também é crítica para o desempenho dos gestores, uma vez que representa a frustração das pessoas ao receber ordens de alguém. Além disso, o especialista aponta que as crenças - seja em instituições religiosas ou políticas - influenciam na maneira como o indivíduo age e reage em situações de stress. Segundo ele, para obter sucesso em uma negociação, é preciso deixar essas questões ou utilizá-las ‘contra’ o adversário daquele momento, mas nunca se deixando prejudicar por crenças pessoais.
Finalmente, a necessidade humana de status e de sentir-se importante pelo papel que desempenha em determinado círculo de pessoas gera a competição excessiva e, muitas vezes, leva ao fracasso de projetos. Por isso, Shapiro comenta que todos devem ter em mente que as pessoas envolvidas em uma discussão nunca são mais importantes do que a negociação em si.
Para ele, quando controladas e conhecidas pelo indivíduo, as emoções podem ser eficientes molas propulsoras da motivação e paixão no trabalho.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Maioria das empresas será pressionada a investir em TI verde, aponta estudo

Levantamento defende que a TI participe das discussões com gestores de outras áreas para entender suas necessidades de negócio e criar maneiras para que a tecnologia os leve a tais objetivos de forma sustentável e ambientalmente consciente

 

As pressões dos investidores e de órgãos regulatórios para reduzir o impacto das mudanças climáticas farão com que pelo menos dois terços das companhias ao redor do mundo adotem medidas para mitigar riscos. As conclusões são de um estudo da consultoria Gartner, a qual recomenda que as organizações criem um plano estratégico para se tornarem mais verdes nos próximos cinco anos  e aconselha que o CIO sente à mesa com os líderes das áreas de responsabilidade social, sustentabilidade, suply chain (cadeia de suprimentos) e logística para estruturar e colocar em prática as diretrizes.
O levantamento constata que o crescimento da população e da competição pelos recursos naturais vão aumentar os desafios ambientais. Como as mudanças climáticas têm um forte impacto na operação das companhias, o instituto de pesquisas recomenda que as empresas concentrem mais esforços em programas para redução da emissão de gases estufa (EGE), com o uso de tecnologias apropriadas.
Na prática, isso significa que as companhias devem se preocupar com o uso mais eficiente de energia, de água, impressão de documentos, deslocamento de profissionais, infraestrutura de TI e materiais que danificam o meio ambiente, entre outras questões. É importante avaliar as atividades do negócio em toda a cadeia de suprimento para que as operações sejam sustentáveis. Veja a seguir algumas conclusões sobre o estudo do Gartner:
Negócios sustentáveis
Os planos de negócios para investimentos em novos projetos devem ser sustentáveis. Eles devem levar em consideração as questões de conformidade e ética, provar que o negócio tem eficiência, responsabilidade social, reputação, inovação, e que exploram as oportunidades de mercado com redução da emissão de dióxido de carbono (CO2).
Contribuição da TIC
A área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) pode dar uma importante contribuição para os projetos ambientais em toda a organização. Para isso, o CIO deve sentar à mesa com os líderes de programas como de responsabilidade social, sustentabilidade, suply chain e logística.
É fundamental que a TI participe das discussões com os times de outras áreas para entender suas necessidades e como a tecnologia pode ajudar no processo. O Gartner observa que os projetos bem-sucedidos para economia sustentável que reduzem a emissão de CO2 são os elaborados com visão integrada da empresa. Por isso é necessário que TI e demais áreas trabalhem juntas nas iniciativas.
Infraestrutura de TI
Para a prática da TI verde, o Gartner recomenda que os ativos sejam bem gerenciados e aconselha a adoção da virtualização, considerada um dos pilares dos projetos para redução de CO2. De acordo com a consultoria, o uso eficaz desse modelo pode reduzir o consumo de energia dos servidores em até 82% e a ocupação do espaço em até 85%.

Com esses benefícios, o Gartner estima que até 2013 haverá uma adesão maior à virtualização. Outra previsão da consultoria é que a indústria de semicondutores vai aumentar a produção de componentes que consomem menos energia.
A indústria de semicondutores desenvolverá produtos eletrônicos para revolucionar a produção, a distribuição e o consumo de energia. Esse segmento transformará a economia mundial na área de energia da mesma forma que mudou o uso mundial da Internet, inovando na criação de materiais, processos e equipamentos para reduzir os efeitos ambientais, melhorando a eficiência e diminuindo custos.
Estratégias da indústria de TI
A partir de 2012, as empresas vão olhar na hora da compra de produtos e serviços de TI, além das questões de preços, tecnologia e responsabilidade dos fornecedores, os critérios de sustentabilidade ambiental. Para atender essa exigência, haverá em 2010 um esforço maior dos fornecedores para se posicionarem no mercado com ofertas de produtos e serviços que ofereçam benefícios às organizações que querem se tornar mais verdes.
Fornecedores aproveitarão para apresentar ao mercado tecnologias que levam em conta não apenas o design para atenuar a pressão das partes interessadas, tais como governo, reguladores e investidores para redução de CO2.

Os fabricantes deverão investir em produtos inovadores com apelo ambiental em todo ciclo de vida, fabricados com materiais recicláveis e que possam ser reutilizados. Eles desenvolverão estratégias para vender produtos e serviços inovadores que possam ser entregues mais rapidamente e com mais eficiência atendendo requisitos de mercados emergentes e maduros.
Projetos inteligentes
A indústria criará ofertas para atender projetos de cidades sustentáveis como os de “smart grid”, “smart building” e transportes inteligentes. Haverá potencial para diversos fornecedores criarem um ecossistema com outros vendedores que possam acomodar pilotos e várias fases de implementações.
Um bom exemplo disso é o projeto de smart city de Amsterdã, na Holanda, avaliado em 1 bilhão de dólares, que foi planejado por fornecedores com capacidade de inovação e visão de negócios.
Exigência regulatórias
O Gartner prevê para os próximos três anos mudanças significativas no mercado com implicações diretas e indiretas para TI. Governos e órgãos reguladores vão criar padrões internacionais para que os equipamentos consumam menos energia e que sejam fabricados com materiais que danifiquem menos o meio ambiente.
Exemplo disso são as diretivas da União Europeia, como a Restrição de Substâncias Perigosas (RoHS), Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (WEEE), e Registro, Avaliação e Autorização de substâncias químicas (REACH), e produtos que consomem energia.
A recomendação do Gartner é que as organizações não esperem pelas intervenções regulatórias. É importante começar desde já a criar políticas que foquem a eficiência do consumo de energia em PCs e data centers e adoção de outras medidas para reduzir o impacto ambiental.
É importante ter um plano de sustentabilidade que englobe toda a corporação. O Gartner constatou que as companhias estão lidando com esse problema de forma isolada com silos organizacionais, enquanto os maiores oportunidades exigem uma visão holística. É preciso uma abordagem integrada para a eficiência energética e reduções de CO2.